
A semana foi marcada por elevada volatilidade nos mercados globais e domésticos, em meio à combinação de inflação pressionada, incertezas geopolíticas e aumento do ruído político no Brasil. No mercado local, ativos brasileiros reagiram ao avanço das tensões eleitorais, com desvalorização do real, abertura da curva de juros e continuidade do movimento de realização na bolsa, reforçando a percepção de que o ciclo eleitoral deve seguir trazendo episódios recorrentes de volatilidade ao longo dos próximos meses.
No Brasil, o principal destaque macroeconômico foi a divulgação do IPCA de abril, que avançou 0,67% no mês, em linha com as expectativas do mercado. Em 12 meses, a inflação acelerou para 4,4%, ante 4,1% registrados anteriormente. A composição do índice mostrou pressão mais intensa no setor de serviços, especialmente em alimentação fora do domicílio e conserto de automóveis, reforçando a leitura de inflação ainda resiliente e qualitativamente desconfortável para o Banco Central.
Os indicadores de atividade doméstica apresentaram sinais mistos. As vendas no varejo avançaram 0,5% em março, superando as expectativas de mercado, enquanto o varejo ampliado acumulou crescimento de 1,3% no primeiro trimestre de 2026. Serviços mostrou perda de fôlego, com retração de 1,2% em março e queda de 0,7% no trimestre. Apesar disso, o setor ainda registra o 24º resultado positivo consecutivo na comparação anual, além de crescimento acumulado de 2,8% em 12 meses.
Panorama norte-americano
Nos Estados Unidos, os dados reforçaram a percepção de uma economia ainda resiliente, mas convivendo com inflação persistente. O CPI cheio avançou 0,6% em abril, em linha com as expectativas do mercado, enquanto o núcleo da inflação subiu 0,38% no mês. Em 12 meses, o CPI acumulou alta de 3,8%, reforçando o cenário de juros elevados.
Já as vendas no varejo americano avançaram 0,5% em abril, levemente abaixo da expectativa de 0,6%. Na comparação anual, o crescimento foi de 4,9%, indicando que o consumo das famílias segue resiliente. Excluindo automóveis, as vendas avançaram 0,7% no mês, reforçando a sustentação da demanda doméstica americana.
Cenário global
No campo geopolítico, o conflito entre Estados Unidos e Irã permaneceu como uma das principais fontes de atenção dos mercados. As negociações envolvendo o programa nuclear iraniano seguem sem avanços concretos, enquanto novos episódios de tensão mantêm elevado o prêmio de risco no petróleo. Outro ponto relevante foi o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, que terminou sem avanços concretos em temas como tarifas, tecnologia e acesso a mercados. O encontro reforçou a percepção de continuidade do atual cenário: diálogo aberto entre as duas potências, mas ainda sem entregas efetivas.
Mercados
O Ibovespa encerrou a semana em queda acumulada de 3,71%, pressionado pelo ambiente externo mais negativo e pelo aumento das preocupações com a cena política doméstica. O índice fechou aos 177.283 pontos, refletindo a postura mais defensiva dos investidores diante da expectativa por novas pesquisas eleitorais e do aumento do ruído político local. No câmbio, o dólar à vista encerrou a semana cotado a R$ 5,06, acumulando alta de 3,55%.
Agenda econômica
Para a próxima semana, os investidores devem seguir atentos aos desdobramentos políticos no Brasil, com destaque para novas pesquisas eleitorais e para a audiência do presidente do Banco Central no Senado. Na agenda econômica doméstica, os principais destaques serão a divulgação do IBC-Br de março e do IGP-10 de maio.
No Exterior, o foco estará na divulgação da ata do FOMC nos Estados Unidos, além dos dados de atividade da China e da decisão da Loan Prime Rate (LPR) pelo Banco Central chinês.










