
A semana foi marcada por uma redução marginal do risco geopolítico global, ainda que em um ambiente de elevada incerteza. No Oriente Médio, sinais de avanço diplomático contribuíram para diminuir a probabilidade de escalada imediata do conflito, embora a ausência de definições claras sobre acordos e a situação do Estreito de Ormuz mantenham um prêmio de risco relevante incorporado aos preços de energia.
Esse contexto segue sendo determinante para o comportamento das commodities. O petróleo, após episódios recentes de forte disrupção de oferta — com impacto potencial sobre cerca de 20% do consumo global — permanece em patamar elevado, tendo ultrapassado US$ 100 por barril. Esse movimento reforça a pressão inflacionária global e adiciona complexidade à condução da política monetária nas principais economias.
Nos Estados Unidos, os dados mais recentes trouxeram um sinal moderadamente positivo para a inflação. O índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 3,3% em termos anuais em março, enquanto o núcleo — que exclui itens voláteis — permaneceu em patamar mais elevado, refletindo pressões ainda presentes na dinâmica inflacionária. Apesar de a leitura mensal ter vindo abaixo das expectativas, indicando algum alívio na margem, o nível ainda elevado da inflação em 12 meses reforça que o processo de desinflação segue gradual e dependente da dissipação de choques de oferta e da condução da política monetária.
No Brasil, o quadro inflacionário mostrou deterioração na margem. O IPCA avançou 0,88% em março, elevando a inflação em 12 meses para 4,1%, com destaque para a pressão exercida pelos combustíveis — especialmente gasolina — e itens de consumo pessoal. Além do resultado acima do esperado, observou-se uma piora nos núcleos de inflação, sugerindo maior persistência inflacionária e reduzindo o espaço para flexibilização monetária no curto prazo.
Os índices de preços ao produtor também indicam recomposição de pressões ao longo da cadeia. O IGP-DI registrou alta de 1,14% no mês, com influência relevante dos preços no atacado, sobretudo de produtos agropecuários e insumos industriais. Apesar disso, o índice ainda acumula variação negativa de 1,3% em 12 meses, evidenciando uma dinâmica ainda heterogênea entre os diferentes segmentos da inflação.
No setor externo, a balança comercial brasileira apresentou superávit de US$ 6,4 bilhões em março, sustentada por volumes elevados de exportação, com destaque para o petróleo. Mesmo com alguma desaceleração na comparação anual, o desempenho reforça a resiliência do setor externo e contribuiu para a revisão da projeção de superávit para cerca de US$ 80 bilhões em 2026.
No mercado financeiro doméstico, os ativos brasileiros apresentaram desempenho significativamente positivo ao longo da semana. O Ibovespa renovou máximas históricas, superando o patamar de 197 mil pontos e acumulando alta de 4,93% no período, impulsionado por forte fluxo e desempenho consistente das principais blue chips. Destaque para Petrobras, que avançou mais de 2% mesmo em um ambiente de volatilidade do petróleo, além de ganhos em Vale e nos grandes bancos. Paralelamente, o câmbio acompanhou o movimento, com o dólar à vista encerrando próximo a R$ 5,01, em queda de 1,03% no dia e recuo de 2,88% na semana, refletindo apreciação do real e melhora na percepção de risco local.
Agenda econômica
Olhando à frente, a agenda da próxima semana será relevante tanto no Brasil quanto no Exterior. No cenário doméstico, os destaques ficam para os dados de atividade, incluindo volume de serviços, vendas no varejo e o IBC-Br. Nos Estados Unidos, os dados de PPI e produção industrial devem ajudar a calibrar as expectativas de política monetária. Na China, a divulgação do PIB do primeiro trimestre e indicadores de atividade serão centrais para avaliar o ritmo de crescimento. Já na Zona do Euro, os dados de inflação e produção industrial permanecem no radar.










