
A semana foi marcada pela interação entre política doméstica, tensões geopolíticas e dados macroeconômicos robustos nos Estados Unidos, em um contexto de menor liquidez internacional, mas com melhora gradual do sentimento ao longo dos dias.
No Brasil, a divulgação de novas pesquisas eleitorais reforçou um cenário de maior competitividade para a disputa presidencial de 2026. Os levantamentos recentes indicam estabilidade do patamar de intenção de voto do atual presidente, enquanto adversários apresentam crescimento gradual, ainda sem redução decisiva da distância. O quadro mantém a política como um fator relevante de incerteza prospectiva e tende a seguir influenciando o prêmio de risco dos ativos domésticos.
No cenário internacional, as atenções se voltaram para as tensões envolvendo a Groenlândia e as ameaças de novas tarifas por parte dos Estados Unidos.
O início da semana foi marcado por maior aversão ao risco, mas o tom mudou após sinalizações mais conciliatórias do governo americano, indicando avanços em uma possível solução negociada e afastando, ao menos no curto prazo, a implementação das tarifas. Esse movimento contribuiu para a melhora do apetite por risco global, beneficiando especialmente os mercados emergentes.
Dados norte-americanos
Do ponto de vista macroeconômico, os dados dos Estados Unidos reforçaram a leitura de uma economia ainda resiliente.
O PIB americano cresceu a uma taxa anualizada de 4,4% no 3º trimestre, superando as expectativas iniciais em 0,1 ponto percentual e acelerando 0,6 p.p. em relação ao 2º trimestre, configurando o maior avanço da taxa em dois anos. O resultado refletiu principalmente a expansão do consumo, o aumento das exportações, dos gastos do governo e dos investimentos, enquanto as importações recuaram. A divulgação, adiada anteriormente em função do shutdown, reforça um cenário de atividade robusta e reduz o espaço para cortes mais rápidos dos juros pelo Federal Reserve.
No campo da inflação, os dados do PCE, principal métrica acompanhada pelo Fed, também vieram com atraso. Em outubro, o PCE registrou alta de 0,2% na comparação mensal e 2,7% em termos anuais, mesma variação observada no núcleo do PCE. Já em novembro, o índice acelerou para 2,8% na comparação anual, com o núcleo apresentando comportamento semelhante. Os números indicam inflação ainda acima da meta, mas sem deterioração abrupta, sustentando uma postura cautelosa da política monetária americana.
Mercados
O Ibovespa renovou máxima histórica na sexta-feira (23), atingindo 180.532,28 pontos, e encerrou o pregão em 178.858,54 pontos, com alta diária de 1,86%. No acumulado da semana, o índice avançou 8,53%, refletindo o ambiente externo mais favorável e a melhora do apetite por risco. Já o dólar fechou a sexta-feira com leve alta de 0,08%, cotado a R$ 5,2876, mas acumulou queda de 1,59% na semana.
Agenda semanal
Para a agenda da semana de 26 a 30 de janeiro, o destaque no Brasil fica para a divulgação do IPCA-15 na terça-feira (27). Na quarta-feira (28), as atenções se voltam para as decisões de política monetária, com a reunião do Copom, no Brasil, e do FOMC, nos Estados Unidos. Já na sexta-feira (30), o foco recai sobre a divulgação do IGP-M, além dos dados do mercado de trabalho, com a taxa de desemprego e o CAGED, encerrando uma semana relevante para a calibragem das expectativas de inflação, atividade e juros.










